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"Mamãe, estou com fome !"


"E haverá fomes . . . "


Fome

A caso estamos vivendo numa época de mais fome? Segundo o informe do Banco Mundial em setembro de 1996, mais de 800 milhões de pessoas passam fome cada dia, e mais de 500 milhões de crianças não têm alimento suficiente para um desenvolvimento mental e físico adequados. "Cada dia, aproximadamente 40 mil morrem por desnutrição, principalmente na zona rural", declarou o vice-presidente do Banco, Ismail Serageldin.

Segundo Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nos anos 90 aumentou para 50% a população da América Latina que se encontra abaixo da linha de pobreza, apesar do crescimento econômico na região. "Além disso, 60% das crianças vivem em lares abaixo dessa linha e 41% dos pobres sofrem de desnutrição."

Lester Brown, presidente da mesa-redonda em Washington, o Worldwatch Institute, declarou: "Ironicamente, numa era de alta tecnologia, de explorações espaciais, de Internet e transplantes de órgãos, em 1996 a humanidade subitamente viu-se diante de um dos desafios mais antigos: como chegar à colheita seguinte." Citando o aumento das perdas de colheitas em 1995 e a frágil condição atual das reservas de alimentos do mundo, ele avisou: "Algo está definitivamente mudando."

Como muitos peritos, o Worldwatch,culpa o aquecimento global por grande parte da fome existente no mundo hoje. O seu relatório "Vital Signs 1996" ("Sinais Vitais de 1996"), informa que na primeira metade da década de 90 chegaram a 48 bilhões de dólares os pagamentos de seguradoras por danos na lavoura relacionados com o clima, em comparação com os 16 bilhões de dólares pagos durante toda a década de 80.

Sir John Houghton, um perito em clima e presidente da Britain's Royal Commission on Environmental Pollution, avisa que ainda estamos para ver os efeitos assoladores do aquecimento global: "Florestas morrerão, doenças como a malária se disseminarão e refugiados famintos estarão cruzando fronteiras à medida que o clima fica mais rigoroso."

Se você lê num ritmo normal, desde que pegou este livro, pelo menos 200 pessoas já morreram de fome. Segundo estimativas conservadoras, a menos que a situação melhore drasticamente, mais de 4 milhões de pessoas morrerão cada ano.

Embora tenha levado toda a História da raça humana até 1830 para a população mundial chegar a um bilhão de habitantes, levou apenas 100 anos para acrescentar um segundo bilhão (1930), 30 anos para o terceiro bilhão (1960), 16 anos para o quarto bilhão (1976), e 11 anos para o quinto bilhões (1987). Espera-se que a população do mundo chegue a 8,5 bilhões até o ano 2030. À medida que a população aumenta, diminui a disponibilidade per capita de terra arável.

A simples solução

A terrível ironia é que o mundo tem condições de produzir alimento suficiente para a sua crescente população. Apesar de algumas fomes serem resultado de secas ou outras catástrofes naturais, a maior parte dos problemas de fome no mundo atualmente poderia ser evitada se não fosse o egoísmo e a desumanidade do homem. Guerras, embargos, corrupção nos governos e opressão econômica, tudo isso são sintomas do verdadeiro problema. Enquanto crianças inocentes morrem de fome, algumas nações ricas destroem milhões de toneladas de alimentos para manter os preços altos.

Um artigo da AP diz-nos que o instituto oficial Bread for the World ("Pão Para o Mundo") expressou essa opinião no seu quinto relatório anual:

De acordo com a organização, que faz lobby para programas mais amplos contra a pobreza, "a fome no mundo é conseqüência da falta de valores humanitários".

O seu relatório identifica como maiores causadores de subnutrição a violência, a falta de poder político, a pobreza, a discriminação racial e a situação do meio ambiente.

Se todos simplesmente aprendêssemos a seguir a Regra de Ouro e fizéssemos aos outros o que queremos que nos façam a nós, até mesmo problemas tão assustadores como a fome mundial poderiam ser eliminados.

Guerra: o grande desperdiçador

As fomes normalmente estão relacionadas com a guerra, portanto mais guerras significam mais fome. O general Dwight D. Eisenhower, ex-presidente americano, salientou o excessivo desperdício da guerra ao declarar:

"Toda arma fabricada, todo navio de guerra que vai ao mar, todo foguete lançado, significa, no final das contas, roubar daqueles que têm fome e não são alimentados, daqueles que passam frio e não são vestidos. Este mundo armado não está despendendo apenas dinheiro. Está despendendo o suor dos seus trabalhadores, a inteligência de seus cientistas e as esperanças de suas crianças. (…) Sob a nuvem da ameaça de guerra, a humanidade está pregada a uma cruz de ferro. (…) Será que não há outra maneira do mundo viver?"

Eis alguns fatos contemporâneos que colocam em perspectiva as palavras de Eisenhower:

A Guerra do Golfo de 1991 custou aos aliados meio bilhão de dólares por dia, ou seja, 350 mil dólares por minuto. Um avião-caça custa por volta de 25 milhões de dólares. Um míssil tomahawk custa mais ou menos 1 milhão e 300 mil dólares. Um míssil ar/ar custa 800 mil dólares.

Traduzido em gastos mais compreensíveis, pelo preço de um míssil Sparrow guiado por radar, uma escola cheia de crianças famintas poderia ser alimentada com um almoço todos os dias por 5 anos.

Mas esses números não são nada em comparação com os bilhões gastos anualmente em guerras e armamentos ao redor do mundo. O Stockholm International Peace Research Institute, informa que o poderio militar no mundo gasta em média entre 900 bilhões e 1 trilhão de dólares por ano. Usando a quantia de $1 trilhão, isso significa que as forças armadas do mundo têm um gasto astronômico de 2 milhões de dólares por minuto! Um plano para suprir água potável por dez anos para os pobres nas regiões em desenvolvimento ficaria em 30 bilhões, ou seja, a quantia que as forças armadas gastam em apenas 10 dias. Dezoito dias de gastos das forças armadas por ano poderiam erradicar a subnutrição no mundo inteiro. Peritos acreditam que 200 milhões de dólares, ou seja, o que as forças armadas gastam em três horas, poderiam exterminar doenças como a difteria, a coqueluche, o tétano, o sarampo e a poliomielite, que juntas matam 4 milhões de crianças por ano.