| A Noite Que Os Anjos Cantaram! |
|
Uma
História de Natal para Crianças Lorraine
Rose, Sibéria, Rússia Oi!
Eu me chamo David. Vivi muito tempo numa terra seca e poeirenta. Minha casa
era de alvenaria e lá eu morava com meus pais e irmão mais velho. Meu pai
e minha mãe eram tecelões, e meu irmão mais velho auxiliar nesse mesmo ofício.
Sentava-me
na colina noites a fio, agasalhado com várias camadas de roupas grossas de
lã, sentindo a brisa bater no meu rosto e andando pra cá e pra lá perto
da fogueirinha que um velho pastor fizera. A maioria das noites era calma e
rotineira, e normalmente caíamos no sono tranqüilamente ao redor do fogo,
com as ovelhas ali perto no campo. Algumas noites tínhamos que espantar
lobos e chacais que tentavam aproximar-se do rebanho. Mas nunca perdemos uma
ovelhinha sequer. Deus cuidava bem de nós e dos nossos animais.
Eu
era o mais jovem no nosso grupo de pastores, e me dava muita alegria cantar
canções antigas à noite ao redor da fogueira. Zacarias, um velho pastor,
às vezes falava meio triste sobre o Messias prometido. Lembro-me de ficar
sentado ouvindo atentamente. Com a sua voz trêmula ele falava sobre Aquele
que viria para nos dar vida, amor e nos libertar. Aquele que seria como
nosso Pastor, que cuidaria de nós e recolheria todas as ovelhas desgarradas
de volta no Seu redil. “Ele
virá para pregar o Evangelho aos pobres”, dizia Zacarias, “para curar
os pesarosos, para pregar libertação aos cativos, para devolver a vista
aos cegos e para libertar os feridos. Como eu ansiava ver esse dia!” A
voz do velho esmaecia, mas com suas palavras ressoando em meus ouvidos Eu
pedia a Deus para que eu também pudesse ver o dia quando o nosso Salvador
de amor viesse à Terra. Passaram-se
meses desde que eu tornara-me pastor. Numa noite excepcionalmente fria,
depois que as brasas da fogueira estavam bem mexidas e as ovelhas dormindo,
aconchegamo-nos e caímos no sono. Lembro-me de pensar que era uma noite
linda e estrelada, que as estrelas reluziam com tanto fulgor que eu sentia
como que se pudesse quase tocá-las! Comecei
a sonhar com luz, amor e carinho. De repente acordei com um susto! Abrindo
os olhos deparei-me com uma luz deslumbrante que não feria os meus olhos.
Um ser celeste maravilhoso estava em pé no céu, acima de nós, com os
cabelos dourados esvoaçando. No princípio ficamos com medo, mas quando o
belo anjo começou a falar o nosso temor dissipou-se. Ele disse: “Não
temam, pois trago-lhes boas notícias de grande alegria! Este dia, na cidade
de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é Cristo o Senhor! Vocês o
encontrarão vestido de trapos e dentro de uma manjedoura!”
Antes
de eu conseguir compreender sequer o que ouvira, o céu todo se iluminou com
um show de luz espetacular! Vi milhares — não dava para contar, pareciam
milhares — de anjos magníficos cantando: “Glória a Deus nas alturas,
paz na Terra aos homens de boa vontade!“ A
música e a cantoria que encheram o ar fundiram-se na mais esplêndida
harmonia. Ficamos deslumbrados! Nossos olhos esbugalhados de surpresa, e
nossos corações repletos de alegria! Era como se no espírito fôssemos
sair voando! Quando
a linda e harmoniosa voz dos anjos esmaeceu no ar da noite, Zacarias
ajoelhou-se e exclamou: “Glória a Deus! Ele demonstrou-nos o Seu grande
amor! Vamos a Belém procurar o Menino que é o nosso Salvador e Rei de
amor!” O
que será que posso oferecer-Lhe quando vi-Lo? Não tenho nada. Sou jovem,
pequeno e tão pobre,
pensei, na caminhada apressada até à cidade. Meus pensamentos foram
interrompidos quando chegamos à porta de um velho estábulo. Batemos e um
homem gentil a abriu. Daquele velho e fedorento estábulo emanava um calor e
um amor espantosos. Sabíamos que encontráramos Jesus! Fui
até a manjedoura onde Ele estava deitado, e a linda face do recém-nascido
reluzia com amor e paz. Ajoelhando-me beijei sua pequena testa. Fiquei com
os olhos cheios de lágrimas. A sua mãe, deitada ao lado da manjedoura,
colocou o braço nos meus ombros e fez um carinho no meu cabelo embaraçado.
Aquele momento transformou a minha vida para sempre! Ficamos
tão deslumbrados com a experiência que só depois conseguimos analisar
melhor o que ocorrera. Sentado novamente na colina contemplando a noite
estrelada que envolvia nós, pastores, e nossos rebanhos, comecei a pensar
por que é que na noite mais maravilhosa e divina neste mundo, os anjos
viriam e proclamariam as boas novas justamente a nós, um bando de pastores
maltrapilhos?
Depois
entendi que Deus ama todos nós, por menos importantes que pareçamos ser. O
Seu amor não tem limites e é dado imparcialmente a todas as crianças no
mundo. Até mesmo a mim, um pobre pastorzinho. E sim, eu sabia o presente
que podia dar a Jesus! Não tinha nada material para ofertar-Lhe, mas tinha
um coração repleto do amor que Ele me dera. Poderia retribuir-Lhe e viver
para demonstrar o Seu amor e luz a outros. Uma oração de Natal —Lee
Anderson |