Anterior

Índice Próxima

Página Inicial

A Noite Que Os Anjos Cantaram!

 Uma História de Natal para Crianças

Lorraine Rose, Sibéria, Rússia

Oi! Eu me chamo David. Vivi muito tempo numa terra seca e poeirenta. Minha casa era de alvenaria e lá eu morava com meus pais e irmão mais velho. Meu pai e minha mãe eram tecelões, e meu irmão mais velho auxiliar nesse mesmo ofício. 
     A nossa família estava passando dificuldades, e uma noite, à hora do jantar, meu pai me disse: “Filho, você sabe que estamos num momento muito difícil. Nosso vizinho concordou em nos dar um pouco da sua lã no final do ano se você ajudasse a cuidar das ovelhas dele à noite”. Eu tinha sete anos de idade, e estava pronto para ajudar a minha família a superar essa situação. Foi assim que tornei-me um pastorzinho.
 

Sentava-me na colina noites a fio, agasalhado com várias camadas de roupas grossas de lã, sentindo a brisa bater no meu rosto e andando pra cá e pra lá perto da fogueirinha que um velho pastor fizera. A maioria das noites era calma e rotineira, e normalmente caíamos no sono tranqüilamente ao redor do fogo, com as ovelhas ali perto no campo. Algumas noites tínhamos que espantar lobos e chacais que tentavam aproximar-se do rebanho. Mas nunca perdemos uma ovelhinha sequer. Deus cuidava bem de nós e dos nossos animais. 

     Eu era o mais jovem no nosso grupo de pastores, e me dava muita alegria cantar canções antigas à noite ao redor da fogueira. Zacarias, um velho pastor, às vezes falava meio triste sobre o Messias prometido. Lembro-me de ficar sentado ouvindo atentamente. Com a sua voz trêmula ele falava sobre Aquele que viria para nos dar vida, amor e nos libertar. Aquele que seria como nosso Pastor, que cuidaria de nós e recolheria todas as ovelhas desgarradas de volta no Seu redil.

“Ele virá para pregar o Evangelho aos pobres”, dizia Zacarias, “para curar os pesarosos, para pregar libertação aos cativos, para devolver a vista aos cegos e para libertar os feridos. Como eu ansiava ver esse dia!”

A voz do velho esmaecia, mas com suas palavras ressoando em meus ouvidos Eu pedia a Deus para que eu também pudesse ver o dia quando o nosso Salvador de amor viesse à Terra.

Passaram-se meses desde que eu tornara-me pastor. Numa noite excepcionalmente fria, depois que as brasas da fogueira estavam bem mexidas e as ovelhas dormindo, aconchegamo-nos e caímos no sono. Lembro-me de pensar que era uma noite linda e estrelada, que as estrelas reluziam com tanto fulgor que eu sentia como que se pudesse quase tocá-las!

Comecei a sonhar com luz, amor e carinho. De repente acordei com um susto! Abrindo os olhos deparei-me com uma luz deslumbrante que não feria os meus olhos. Um ser celeste maravilhoso estava em pé no céu, acima de nós, com os cabelos dourados esvoaçando. No princípio ficamos com medo, mas quando o belo anjo começou a falar o nosso temor dissipou-se. Ele disse: “Não temam, pois trago-lhes boas notícias de grande alegria! Este dia, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é Cristo o Senhor! Vocês o encontrarão vestido de trapos e dentro de uma manjedoura!”  

Antes de eu conseguir compreender sequer o que ouvira, o céu todo se iluminou com um show de luz espetacular! Vi milhares — não dava para contar, pareciam milhares — de anjos magníficos cantando: “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens de boa vontade!“

A música e a cantoria que encheram o ar fundiram-se na mais esplêndida harmonia. Ficamos deslumbrados! Nossos olhos esbugalhados de surpresa, e nossos corações repletos de alegria! Era como se no espírito fôssemos sair voando!

Quando a linda e harmoniosa voz dos anjos esmaeceu no ar da noite, Zacarias ajoelhou-se e exclamou: “Glória a Deus! Ele demonstrou-nos o Seu grande amor! Vamos a Belém procurar o Menino que é o nosso Salvador e Rei de amor!” 

O que será que posso oferecer-Lhe quando vi-Lo? Não tenho nada. Sou jovem, pequeno e tão pobre, pensei, na caminhada apressada até à cidade. Meus pensamentos foram interrompidos quando chegamos à porta de um velho estábulo. Batemos e um homem gentil a abriu. Daquele velho e fedorento estábulo emanava um calor e um amor espantosos. Sabíamos que encontráramos Jesus!

Fui até a manjedoura onde Ele estava deitado, e a linda face do recém-nascido reluzia com amor e paz. Ajoelhando-me beijei sua pequena testa. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas. A sua mãe, deitada ao lado da manjedoura, colocou o braço nos meus ombros e fez um carinho no meu cabelo embaraçado. Aquele momento transformou a minha vida para sempre!

Ficamos tão deslumbrados com a experiência que só depois conseguimos analisar melhor o que ocorrera. Sentado novamente na colina contemplando a noite estrelada que envolvia nós, pastores, e nossos rebanhos, comecei a pensar por que é que na noite mais maravilhosa e divina neste mundo, os anjos viriam e proclamariam as boas novas justamente a nós, um bando de pastores maltrapilhos?

     Depois entendi que Deus ama todos nós, por menos importantes que pareçamos ser. O Seu amor não tem limites e é dado imparcialmente a todas as crianças no mundo. Até mesmo a mim, um pobre pastorzinho. E sim, eu sabia o presente que podia dar a Jesus! Não tinha nada material para ofertar-Lhe, mas tinha um coração repleto do amor que Ele me dera. Poderia retribuir-Lhe e viver para demonstrar o Seu amor e luz a outros.

Uma oração de Natal
Se não houver lugar no coração
Para o Natal não há lugar.
A caridade não terá vez,
Se eu não começar.
Oh, Jesus, preciso do Seu amor!
Se ao dar eu for um espelho
Do Seu Espírito doador,
Do seu amor me assemelho.

—Lee Anderson